Como Londres resolveu 5 problemas inesperados às vésperas de sediar Olimpíada

Publicado por em 30 de julho de 2016

Rio 2016Críticas a cidades-sede dos Jogos Olímpicos – como as que vêm sendo direcionadas às moradias dos atletas no Rio de Janeiro – não são exclusivas da edição brasileira da competição.

Londres também sofreu com problemas de última hora ao sediar a última edição do evento esportivo, há quatro anos.

Imprevistos angustiaram os organizadores – a ponto de a imprensa local classificar a Olimpíada como um “fiasco” antes mesmo do início da competição. Diagnóstico que, ao final, acabou não se concretizando.

Relembre cinco problemas enfrentados por Londres às vésperas dos Jogos – e como eles foram resolvidos.

1) Segurança

Um dos maiores imprevistos envolveu a segurança do evento: uma semana antes do início da Olimpíada, a empresa contratada para fazer a vigilância informou que não conseguiria viabilizar o número necessário de funcionários.

Orçado em 284 milhões de libras (R$ 1,2 milhão, em valores atuais), o contrato previa a mobilização de mais de 10 mil guardas, mas a companhia de segurança G4S só foi capaz de fornecer 6 mil.

Qual foi a solução?

O governo teve de fazer uma convocação adicional de 4,7 mil militares para ajudar na segurança do evento. Ao todo, mais de 18 mil soldados das Forças Armadas atuaram na Olimpíada, mais do que o dobro do contingente do país no Afeganistão na ocasião.

Além disso, policiais em todo o país também tiveram de ser mobilizados às pressas.

Na ocasião, o chefe do Comitê Organizador de Londres, Paul Deighton, afirmou que a contratação da empresa tinha sido uma grande “decepção”.

“Assinamos um contrato com a maior empresa de segurança do mundo, cujo maior cliente era o governo britânico. Eles nos garantiram diversas vezes a capacidade de fornecer seguranças. Claro que foi uma grande decepção. Trata-se de um desempenho pífio em um contrato muito importante”, disse ele.

A G4S pediu desculpas pelo problema e se comprometeu a ressarcir os gastos relacionados à mobilização adicional das forças de segurança. A empresa também perdeu licitações com o governo e acabou registrando seguidos prejuízos financeiros.

Londres enfrentou ameaças de greves, como a dos motoristas de ônibus, às vésperas da Olimpíada

2) Greves

Londres também teve de lidar com ameaças de greve durante a Olimpíada.

Diversas categorias – como funcionários do metrô e dos trens, além de motoristas de ônibus – ameaçaram realizar paralisações por reajustes salariais e melhores condições de trabalho durante a realização do evento.

No aeroporto internacional de Heathrow, o mais importante do país, oficiais da alfândega convocaram uma greve no dia anterior à cerimônia de abertura. Eles argumentaram que, por causa de cortes de pessoal, não conseguiriam atender ao volume extra de passageiros durante os Jogos.

Funcionários da limpeza do metrô também planejaram uma “operação-padrão” por 48 horas, ou seja, trabalhando o mínimo necessário a partir do início do evento.

Qual foi a solução?

O governo chegou a um acordo com vários sindicatos, oferecendo bônus salariais que chegaram a até mil libras (R$ 4,3 mil em valores atuais) a quem trabalhasse durante os Jogos. As greves acabaram canceladas.

Os funcionários de limpeza do metrô, contudo, chegaram a realizar uma paralisação, mas que não teve grande impacto no sistema de transporte.

3) Filas no aeroporto

Um mês antes do início da Olimpíada, filas intermináveis na imigração do aeroporto de Heathrow – com tempo de espera médio de até 2,5 horas – alimentaram temores de uma “crise iminente”, como alertou na ocasião a BAA, consórcio que administra o espaço.

“As filas de imigração para passageiros durante os horários de pico em Heathrow nos últimos dias foram inaceitavelmente longas e o Ministério do Interior deveria fornecer uma boa experiência para passageiros regulares e visitantes olímpicos”, informou a empresa em nota.

Qual foi a solução?

O governo decidiu contratar mais 500 funcionários para desafogar o controle de passaporte.

Além disso, mais de mil voluntários também ajudaram atletas e turistas no desembarque. O caos previsto não veio.

Mascotes olímpicos dos Jogos de Londres

4) Transporte

Na quarta-feira anterior à abertura da Olimpíada, motoristas de Londres foram impedidos de trafegar por cerca de 45 km de vias. Autoridades também estabeleceram faixas prioritárias durante o evento esportivo – quem fosse flagrado usando as pistas poderia ser multado em até 200 libras (R$ 860).

Houve ainda uma série de mudanças no trânsito. Semáforos, por exemplo, tiveram o temporizador alterado para facilitar o fluxo de veículos.

Por causa disso, as principais estradas em direção a Londres registraram longos engarrafamentos.

Dentro da cidade, alguns motoristas reclamaram da sinalização “confusa”. Segundo eles, certas pistas pareciam permanecer livres à circulação de todos os veículos enquanto placas traziam sinais “conflitantes”.

Além disso, em razão da grande movimentação de passageiros, houve atrasos e interrupções temporárias em linhas de metrô, especialmente naquelas que se dirigiam ao Parque Olímpico.

Qual foi a solução?

Apesar de problemas pontuais, autoridades consideram que o sistema de transporte público atendeu às expectativas.

Segundo a TfL (Transport for London), órgão da prefeitura responsável pelo transporte na região metropolitana de Londres, apenas 30% das faixas olímpicas foram usadas todos os dias, já que um terço dos moradores mudou “seus hábitos de deslocamento”.

Como resultado, o fluxo de veículos nas ruas da capital britânica caiu cerca de 15% – permitindo a quem trafegasse pelas pistas exclusivas completar a viagem dentro do tempo previsto “em 90% das vezes”, acrescentou a autarquia na ocasião.

A TfL creditou o sucesso da medida à “boa vontade” da população, que seguiu as orientações.

Sistema de metrô funcionou bem durante a Olimpíada, dizem autoridades

5) Vila Olímpica

A Vila Olímpica de Londres também foi alvo de críticas – embora em proporção diferente do Rio.

Atletas dos EUA reclamaram que equipamentos de ar-condicionado estavam quebrados e que, por causa do verão europeu, estavam sofrendo com temperaturas que chegavam a 30°C.

Houve também queixa sobre o tamanho das camas, algumas das quais menores que os atletas. A remadora argentina Maria Gabriela Best, de 1,85m, disse que ficou com parte das pernas e os pés para fora, pois não cabia na estrutura.

Apesar de críticas pontuais, todas as delegações permaneceram na Vila Olímpica

A delegação indiana se disse insatisfeita com o tamanho dos quartos, onde, segundo ela, seus atletas “mal conseguiam se mover”.

Antes da abertura oficial da Vila Olímpica, jornalistas convidados a visitar o espaço também relataram problemas de abastecimento de água.

Qual foi a solução?

O problema de abastecimento de água foi sanado. E, apesar de críticas pontuais, todas as delegações permaneceram na Vila Olímpica.

Fonte: BBC Brasil



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