Sem material, COI recorre à CBF para garantir testes de doping no futebol

Publicado por em 2 de agosto de 2016

COIO torneio de futebol masculino e feminino da Olimpíada terá controle antidoping. Mas graças a um socorro providencial da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ao Comitê Olímpico Internacional (COI). Fernando Solera, chefe da equipe de controle da entidade brasileira, confirmou o pedido de ajuda, que segundo ele chegou por amigos que trabalham no meio. O material de coleta e sorteio para os torneios olímpicos de futebol não chegou, e estaria armazenado em um contêiner ainda não localizado. A situação, por pouco, não impediu que fossem realizados os exames nas primeiras rodadas das competições masculina e feminina.

A falha poderia trazer sérios danos por ocorrer em um momento dos mais delicados, enquanto o COI, responsável pelo controle, lida com o escândalo que desfalcou em mais de 100 atletas a delegação russa. Podem ocorrer mais cortes dependendo das avaliações a serem feitas até o fim da semana, ou “filtros”, como o comitê definiu. Consultado por email a respeito do motivo da falta de material e da possibilidade de não haver o controle na primeira rodada dos torneios masculino e feminino de futebol olímpico, o COI somente confirmou que os exames serão feitos:

– Podemos confirmar que o programa de testes continuará como planejado e haverá testes nas primeiras rodadas dos jogos de futebol.

Não podemos fazer nenhum tipo de doação, porque esse material pertence à CBF, mas, de maneira que a gente empreste, o material voltando, não vai ter problema nenhum. É uma causa nobre.
Fernando Solera, chefe do antidoping na CBF

À frente do combate ao doping nos principais campeonatos de futebol no Brasil, Solera afirmou não saber o que causou o problema para o COI, mas garantiu suporte “técnico e material”:

– Veja bem, se a gente pensar que a CBF é a casa do futebol, é um esporte que está inserido na Olimpíada. Então realmente a CBF vai poder contribuir com alguns membros das suas equipes de controle de doping e com algum tipo de material que eventualmente eles possam estar com algum tipo de dificuldade. Eu não saberia te dizer exatamente qual é o problema, isso é uma questão deles, do COI e do Rio 2016, mas seguramente vamos poder dar um suporte técnico e material até que possam equacionar a contento o controle de doping no futebol – disse Solera.

Questionado sobre quando recebeu o pedido de ajuda do COI, ele relatou que o contato foi através de outras pessoas que atuam no meio. Solera explicou ainda  que a CBF possui material armazenado em todas as cidades onde há disputas organizadas pela entidade. Dessa forma, não haverá problema em emprestar o material nas diferentes sedes olímpicas.

– Na verdade não recebi nenhuma ligação específica do COI, recebi ligação de alguns colegas porque a gente tem de entender que o combate ao doping é uma força-tarefa. Então nós, o pessoal do atletismo, vôlei, todos nos conhecemos. Alguns colegas fizeram contato comigo e a gente conseguiu, temos a nossa equipe trabalhando normal durante a Olimpíada inteira, temos o nosso material em todas as capitais, todas as cidades do Brasil que têm futebol, material de sorteio, de coleta, tudo disponível. Evidentemente não podemos fazer nenhum tipo de doação, porque esse material pertence à CBF, mas, de maneira que a gente empreste, o material voltando, não vai ter problema nenhum. É uma causa nobre. Um dos maiores eventos esportivos do mundo no nosso país.

Frascos e material usado na coleta de urina e sangue em exames de doping (Foto: Vicente Seda)

Solera esclareceu ainda que a falta de material afetava somente o futebol, e não todas as modalidades olímpicas. E chamou a luta contra o doping de “força-tarefa”:

– A questão é relativa ao futebol. Quando falo dos outros esportes é porque nos conhecemos. A gente sabe muito bem a força que tem o doutor De Rose no Rio Grande do Sul no combate ao doping, e os seus auxiliares. O pessoal do vôlei, a mesma coisa, todos têm uma consciência de que deve haver esse combate. Então a gente acaba se conhecendo, fazendo eventos juntos, participando de atividades em comum, e muitos somos médicos mesmo, acaba tendo vários pontos em comum. O principal deles, sem dúvida nenhuma, inclusive o seu como jornalista, é que a gente tenha todas as competições, não só o futebol, da forma mais limpa possível. É muito bacana. Hoje o mundo que trabalha com esporte defende muito a luta e o combate ao doping.

Serão 14 jogos no total na primeira rodada dos dois torneios, envolvendo 28 equipes, com as competições começando na próxima quarta (feminino) e quinta-feira (masculino). Na quarta-feira, haverá seis jogos pelo torneio feminino: Brasil x China e Suécia x África do Sul no Grupo E; Canadá x Austrália e Zimbábue x Alemanha no Grupo F; e Estados Unidos x Nova Zelândia e França x Colômbia no Grupo G. No torneio masculino, são mais oito jogos na quinta-feira: Iraque x Dinamarca e Brasil x África do Sul no Grupo A; Suécia x Colômbia e Nigéria x Japão no Grupo B; México x Alemanha e Fiji x Coreia do Sul no Grupo C; e Honduras x Argélia e Argentina x Portugal no Grupo D.

Fonte: Globo Esporte.com



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