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Temendo chuvas, equipe começa resgate de meninos presos em caverna na Tailândia

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Temendo que a chuva piore a situação, uma equipe internacional de socorristas decidiu começar na manhã deste domingo a arriscada operação para tirar 12 garotos e seu técnico de futebol de um complexo de cavernas na Tailândia, onde eles estão presos há duas semanas.

As autoridades estão chamando a operação de “Dia D”, e dizem que os garotos estão saudáveis e prontos para serem retirados de lá pelos mergulhadores experientes que vêm levando suprimentos e assistência médica para eles há dias.

Jornalistas tailandeses no local dizem que dois dos meninos já começaram a jornada para sair da caverna, mas ainda não há confirmação oficial.

O grupo está na saliência de uma rocha 4 km adentro do complexo Tham Luang, o quarto maior do país. Fortes chuvas estão previstas para este domingo na província de Chiang Rai, onde fica a caverna – e ela já começou.

As autoridades vinham tentando escoar o máximo de água possível do local para viabilizar um resgate sem a necessidade de mergulho, mas eles decidiram que não podem mais esperar. Neste momento, o nível de água na caverna é o menor desde que o grupo foi encontrado, há dez dias. O risco é que as chuvas voltem a fazer esse nível subir.

Os mergulhadores vinham ensinando aos 13 na caverna como respirar embaixo d’água e como usar o equipamento de mergulho. O mais importante agora, dizem eles, é evitar “pânico”.

O que está acontecendo no local agora?

Na última semana, uma enorme operação de voluntários e da mídia se formou no local onde fica a entrada da caverna.

Mas nas primeiras horas do domingo, os jornalistas foram realocados para um ponto mais afastado e aumentou o número de policiais na entrada, aumentando a especulação de que o resgate começaria.

Em seguida, o líder da operação, Narongsak Osottanakorn, confirmou que 13 mergulhadores haviam entrado na caverna para começar a trazer de volta os 12 meninos e seu técnico, de 25 anos.

Além deles, outros socorristas estão na caverna a postos, incluindo mergulhadores de Tailândia, Estados Unidos, Austrália, China e Europa.

“Esse é o dia D. Os garotos estão prontos para enfrentar esse desafio”, afirmou.

Narongsak disse ainda que todos os garotos foram examinados por um médico e estão “saudáveis fisicamente e mentalmente… Eles estão determinados e focados”.

Tanto o grupo quanto seus familiares concordaram que eles deveriam ser removidos do local assim que possível.

Há um forte clima de expectativa no acampamento onde se reúnem voluntários de todo o país e internacionais, familiares e jornalistas, segundo a repórter da BBC Helier Cheung.

Por que as autoridades decidiram pela retirada hoje?

Inicialmente, as autoridades locais e especialistas pensaram em manter o grupo dentro da caverna até o fim do período de monções na região – o que poderia significar que eles ficariam meses ali.

Também houve tentativas de cavar buracos para conseguir um acesso direto ao local e de vasculhar a montanha em busca de outra entrada.

Mas estamos apenas no início da estação mais chuvosa no país, e ficou claro que a enchente que fez com que o grupo ficasse preso pode piorar nos próximos dias.

Os socorristas vêm tentando escoar água para fora da caverna e, neste momento, segundo o líder da operação, o nível de água lá dentro é o mais baixo até agora.

“Não há outro dia além de hoje para estamos mais prontos. Se não (começarmos hoje), perderemos a oportunidade”, afirmou.

Como vão retirá-los da caverna?

A viagem de ida e volta até o local onde o grupo de garotos está é exaustiva até mesmo para mergulhadores experientes – dura 11 horas no total, seis para a ida e cinco para a volta.

Espera-se que o primeiro dos garotos chegue às 21h do horário local, por volta de 11h no Brasil. A retirada do grupo pode durar pelo menos três dias, segundo as autoridades.

Eles terão que andar nas rochas, caminhar na água, escalar e mergulhar – tudo na completa escuridão – com o auxílio de cordas que já foram colocadas em todo o percurso para guiá-los.

Segundo o governo tailandês, que divulgou nesta manhã o plano do resgate, os garotos serão divididos em quatro grupos e transportados um a um. O técnico estará no último grupo.

Usando máscaras de mergulho de rosto inteiro, que são melhores para iniciantes, cada garoto será acompanhado por dois mergulhadores, que também carregarão seu tanque de oxigênio.

Haverá quatro pontos no caminho em que eles poderão parar para descansar e receber atendimento médico.

Segundo o governo, a vantagem do plano é que ele pode ser executado rapidamente e sem a necessidade de muitos recursos.

No entanto, ele requer muita habilidade dos mergulhadores. Os garotos têm que saber o básico sobre mergulhar, além de manterem-se tranquilos e não entrarem em pânico. Esta é uma das razões pelas quais eles serão separados.

O pior trecho fica mais ou menos na metade do caminho de volta – eles passarão por um local chamado de “Bifurcação em T”, que é tão estreito não é possível levar os tanques de oxigênio nas costas.

Nesse momento, os mergulhadores vão tirar os tanques de suas costas, colocá-los no chão e rolá-los devagar, enquanto guiam o garoto pelo canal.

Algum tempo depois, eles chegarão na Câmara 3, a caverna que é usada como base avançada para os mergulhadores. Lá, irão descansar, ser examinados novamente e caminhar até a saída, de onde devem ser levados diretamente para um hospital local.

Um mergulhador experiente da Marinha, Saman Gunan, morreu dentro da caverna durante a viagem de volta, em uma indicação do quão difícil é a missão. Ele tinha ido levar tanques de oxigênio ao grupo.

Por que o grupo de garotos entrou na caverna?

Os garotos são todos parte do time de futebol Wild Boars e têm entre 11 e 16 anos. Eles conhecem bem a área.

Acredita-se que eles foram para a caverna no dia 12 de junho após um treino, para comemorar o aniversário de um dos colegas, e levaram apenas alimentos básicos.

Mas, por causa da época do ano, uma enchente provocada pela chuva os deixou presos lá dentro, cerca de 600 metros sob a superfície.

Eles foram encontrados por mergulhadores no domingo passado. Estavam famintos e assustados, mas, bem considerando as circunstâncias.

Desde então, mergulhadores da Marinha os fazem companhia, e levam comida, luz e tratamento médico para eles regularmente.

Eles também conseguiram escrever cartas aos familiares e ler as que foram escritas para eles.

Fonte/Imagem: BBC Brasil

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