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Ataques durante celebração da Páscoa deixam 207 mortos e 450 feridos no Sri Lanka

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Enquanto cristãos se reuniam para celebrar a missa de Páscoa no Sri Lanka neste domingo (21), uma série de explosões em três igrejas deixou mais de 200 mortos e centenas de feridos.

Além dos templos, hotéis de luxo também foram alvos do ataque, o mais violento no país desde o fim da guerra civil há dez anos.

Ao menos 207 morreram e 450 pessoas ficaram feridas, disse o porta-voz da polícia, Ruwan Gunasekera. As autoridades afirmaram que os ataques foram feitos de maneira coordenada por um mesmo grupo, mas ainda não se sabe a autoria da ação.

A suspeita é que as explosões, registradas em oito pontos em três cidades, tenham sido causadas por homens-bomba.

Ao menos 13 pessoas foram detidas por suspeita de conexão com o ataque e três policiais foram mortos quando forças de segurança invadiram uma casa com suspeitos em Colombo, a maior cidade do país.

A polícia também afirmou que neste domingo à noite houve um ataque feito com coquetel molotov contra uma mesquita no distrito de Puttalum, além de ataques a duas lojas de muçulmanos no distrito de Kalutara. As autoridades não informaram se há ligação entre essas ações e as explosões.

O governo do Sri Lanka decretou um toque de recolher e também bloqueou acesso a redes sociais e aplicativos de mensagens, como Facebook e WhatsApp, com a intenção de evitar o surgimento de boatos.

O ministro da Defesa do Sri Lanka, Ruwan Wijewardene, afirmou que os culpados são extremistas religiosos, mas não deu mais detalhes. O país tem um longo histórico de tensão entre a maioria budista e as minorias hindu, muçulmana e cristã.

Pelo menos 36 dos mortos eram estrangeiros, incluindo cinco britânicos (dois com dupla nacionalidade americana), três indianos, três dinamarqueses, dois turcos e um português. Além disso, há a suspeita de que existam entre as vítimas chineses, holandeses e americanos.

O papa Francisco condenou os atentados. “Gostaria de expressar minha proximidade afetuosa à comunidade cristã, atacada enquanto se reunia para orar, e a todas as vítimas dessa violência cruel”, disse o pontífice, que visitou o Sri Lanka em 2015.

Os católicos representam cerca de 7% dos 22 milhões de habitantes do país.

Segundo um porta-voz da polícia local, foram contabilizadas oito explosões que começaram por volta das 8h45 (2h30, no horário de Brasília) durante a missa da celebração católica. Segundo as autoridades, os ataques foram coordenados para acontecerem de maneira simultânea.

Em Colombo, foram atacados três hotéis (Shangri-La Colombo, Kingsbury Hotel e Cinnamon Grand Colombo) e a igreja de Santo Antônio. Posteriormente, foram registradas explosões ainda em um apartamento e em uma casa na cidade.

A explosão mais violenta aconteceu na igreja de St. Sebastian, em Negombo, ao norte da capital, onde ao menos 62 pessoas morreram. A outra explosão aconteceu em Batticaloa (200 km ao leste de Colombo), onde ao menos 27 morreram.

“Nosso povo está empenhado em retirar as vítimas”, disse o porta-voz da polícia.

“Condeno energicamente os ataques covardes de hoje contra nosso povo“, disse o primeiro-ministro do Sri Lanka, Ranil Wickremesinghe.

“Eu peço a todos os cingaleses para permanecerem unidos e fortes neste momento trágico. O governo está tomando medidas imediatas para conter a situação”, completou.

O presidente americano, Donald Trump, também se manifestou pelas redes sociais: “os Estados Unidos oferecem condolências ao povo do Sri Lanka. Estamos prontos para ajudar”.

O Sri Lanka, uma ilha no oceano Índico, enfrentou décadas de uma guerra civil que terminou em 2009 que opôs a maioria cingalesa —que segue predominantemente o budismo— a minoria Tâmil (majoritariamente hindu).

Apesar do fim do conflito, com vitória do governo, o país ainda sofre com instabilidade política e ataques esporádicos.

O país é predominantemente budista, com uma parcela de hindus de por volta de 12%, seguido de muçulmanos, com cerca de 10%.

Grupos de cristãos afirmam enfrentar atos de intimidação de extremistas budistas nos últimos anos. Além disso, no ano passado, houve confrontos entre a maioria de budistas cingaleses e a minoria muçulmana.

Fonte: Folha Press

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