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Ministro da Educação nega golpe de 64 e afirma mudança em livros didáticos do país

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Na última quarta-feira (3), o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, afirmou que ocorrerão mudanças no conteúdo sobre o golpe militar de 1964 nos livros didáticos utilizados nas escolas do Brasil. “Haverá mudanças progressivas na medida em que seja resgatada uma versão da história mais ampla. O papel do MEC é garantir e regular a distribuição do livro didático e preparar o livro didático de forma tal que as crianças possam ter a ideia verídica, real, do que foi a sua história” disse Vélez, em entrevista ao Valor.

Para Vélez, o golpe militar foi “foi uma decisão soberana da sociedade brasileira”. O discurso adotado por ele é o mesmo do presidente Jair Bolsonaro (PSL), que tem uma trajetória política marcada por negar que houve um golpe militar e por exaltar torturadores da época, como o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. Ainda, na última semana, Bolsonaro orientou que os quartéis brasileiros celeberassem o aniversário de 55 anos do golpe no país, que em dia 31 de março de 1964 destituiu do poder o ex-presidente João Goulart e deu inicio a ditadura militar no país, que durou 21 anos.

O mesmo pensamento de Vélez em alterar os livros didáticos já havia sido mencionao por um dos filhos de Bolsonaro em janeiro deste ano. Na ocasião, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL) publicou em seu perfil no Twitter que a ditadura militar é mal retratada nos conteúdos escolares. “Se continuarmos no nosso marasmo os livros escolares seguirão botando assassinos como heróis e militares como facínoras. Os militares saíram em 1985 e até hoje vejo matérias na imprensa mentido sobre o que foi aquele período, só p/ enaltecer a PTzada”, afirmou o deputado na época.

Assim, seguindo a linha adotada pelo Governo Bolsonaro em negar o golpe de 64, Vélez não considera o regime militar no país como uma ditadura, mas como “um regime democrático de força”. Porém, segundo informações do jornal Folha De S. Paulo, a fala do ministro teria irritado a cúpula militar. De acordo com a Folha, a maioria dos militares compartilha “a ideia de que o golpe militar que completou 55 anos no domingo passado (31 de março) foi um movimento decorrente de uma mobilização de parcela expressiva da população contra o que chamam de risco de tomada comunista do poder”.

Segundo o jornal, os militares também acreditam que “os livros de história contam a narrativa dos derrotados de 1964, que passaram a ser vitoriosos na Nova República pós-1985”, mas enxergam a manifestação de Vélez como “um desgaste desnecessário” e “apenas uma tentativa dele para manter-se no cargo”. A Folha ainda afirma que os militares “farão chegar ao presidente Jair Bolsonaro que a paciência com o ministro acabou”.

*Com informações do Valor e da Folha De S. Paulo

Fonte: Sul 21

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