Brasil sofre com catástrofes climáticas

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    chuvaO Brasil é atualmente o sexto país do mundo que mais sofre com catástrofes climáticas, segundo a Organização das Nações Unidas.

    Embora a seca seja o desastre natural mais comum por aqui, principalmente no Nordeste, as inundações são as mais devastadoras, porque trazem consigo vendavais, deslizamentos de terra, enxurradas. Uma em cada três tragédias no Brasil está nesta categoria – foram mais de 10 mil registros oficiais entre 1991 e 2010.

    Para o chefe do centro de análise e previsão do tempo do INMET, Instituto Nacional de Meteorologia, Luiz Cavalcanti, apesar da comoção com as tragédias causadas por enchentes nos últimos anos, os desastres não são novos, e podem acontecer o ano todo, em diferentes partes do país.

    “O que existe hoje é que as tragédias são maiores é porque uma chuva muito intensa vai atingir áreas que jamais deveriam ser ocupadas pela população. Porque são áreas muito vulneráveis e um volume de chuva muito intenso que já aconteceu no passado, está acontecendo no presente e vai acontecer no futuro.”

    A especialista em mudanças climáticas da Universidade Federal de Pernambuco, Josicleda Galvício, concorda que a ação do homem faz com que as enchentes tragam tantos prejuízos. E há uma preocupação de que isso possa piorar.

    “O que nos preocupa com as mudanças climáticas é o futuro. Se a gente já tem visto esse volume de água aqui, esses desastres com as precipitações que estão ocorrendo hoje, imagina se tiver aumento de precipitação.”

    Já pensando nas tragédias climáticas futuras, existe uma tendência mundial, estimulada pela ONU, em realizar ações de prevenção. O Brasil está se adequando a isso. Ano passado, passou a ter o primeiro marco legal para a Defesa Civil, a lei 12.608, fruto do debate aqui do Congresso Nacional, que estabelece a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil. Dos 15 objetivos, 11 são voltados à prevenção e redução de riscos de tragédias. Ficou claro que a ordem agora é prevenir em vez de remediar. O deputado Glauber Braga, do PSB do Rio de Janeiro, relator da proposta na Câmara, lista os avanços do chamado Estatuto da Proteção Civil.

    Para o coordenador Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres da Universidade Federal de Santa Catarina, Antônio Edésio, essas mudanças – além de preservar vidas – são mais econômicas para o poder público.

    “Para cada 1 real investido em prevenção, você deixa de gastar 7 reais na resposta. E faz sentido. A prevenção se faz em tempo de normalidade, sem atropelo, com projetos, transparência, e você ao fazer apos o desastre, você tem a preparação de resposta do desastre, a mitigação, durante a ocorrência. E depois da reposta vai a reconstrução. Tem perdas que você não recupera. O que vale uma vida humana?”

    Pelo menos mil pessoas morreram vítimas de enchentes e deslizamentos no Brasil só em 2011. Neste mesmo ano, os prejuízos possíveis de serem medidos somaram R$ 10 bilhões de reais.

    Agência Câmara

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